quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A luta das mulheres também é socialista! (parte I)

Marijke Colle (abaixo) e Alexandra Kollontai (acima)
representam o presente e o passado na luta feminista e socialista

Companheiros e companheiras, a mesa com Marijke Colle (também a diretora da Escola da IV européia) foi tão boa e intensa, que preferi separar sua intervenção em duas partes. Na primeira, vemos um histórico sensacional do movimento feminista. Aguardem que estou pegando agora todo tempo livre pra atualizar o blog. Um abraço, Vinicius

Na mesa de libertação da mulher e o socialismo, a companheira Marijke Colle fez uma impressionante intervenção falando sobre a história do movimento de mulheres pelo mundo. Contou-nos como o movimento das mulheres no seculo XIX não era tão forte e foi pela ação de alguma pioneiras, como Flora Tristan que deu seus primeiros passos. Flora fugiu com os filhos de sua casa pela violência do marido, que atirou nela e mesmo sim não foi condendo. Ela foi a primeira socialista (utopista) feminista, e era seguidor de Fourier, que falava de emancipacao das mulheres pela coletivizacao das tarefas da familia, questão logo em seguida notada por Marx. Mesmo assim, na primeira Internacional tinham ainda poucas mulheres, e um modelo classico trabalhista de indústria machista. Foi Louise Michel - militante próxima do anaquismo, que impulsionou uma organização mais ampla de mulheres, depois de ser presa. Ela foi uma das primeiras militantes no mundo a lutar contra a pena de morte. Ela representa uma corrente feminista que estimula uma luta radical.

Alguns anos depois, Clara Zetkin, militante da social-democracia vai avançar a organizacao das mulheres, propondo a construção na Segunda Internacional de um Congresso das mulheres. Ela propôs uma resolução contra o trabalho noturno, para acabar com a jornada dupla de trabalho, dentre outras questões.

Mas foi Alexandra Kollontai que obtivemos maiores avanços unindo os comunistas e as feministas. Kollontai era Comissária do povo do governo bolchevique, formado após a revolução russa de outubro de 1917. Ela foi peça fundamental para avançar em seu país direitos para mulheres. Soma-se a isso o sufrágio universal e a legalização do aborto em 1920. Kollontai trabalhava por essas leis, mas nao apenas. Lutou pelo direito ao divórcio e outras liberdades individuais da mulher, não restringindo a sua luta apenas ao enfrentamento de classe.

Na segunda metade do século XX, as mulheres ainda participavam no movimento revolucionário apenas com papéis subalternos. Normalmente relatoras, se as mulheres quisessem falar, ninguém daria atenção, o que mostra um problema estrutural, uma opressão específica e revelou a necessidade de uma auto-organização das mulheres. Essa iniciativa enfrentava frontalmente a burocratização dos sindicatos e a reprodução dos mesmos de diversas práticas opressoras.

Mesmo a IV Internacional só incorporou uma marcante resolução sobre o tema em 1979, em seu Congresso. Apontou que achava fundamental que o movimento pela libertacao do corpo da mulher (que fundamentalmente apontava para a liberdade sexual da mulher) fosse uma prioridade. Esse movimento por sua vez influenciou o movimento dos trabalhadores, mudando aos poucos o papel da mulher neste movimento e também no mundo do trabalho.

Esse histórico mostrou como o movimento feminista tem muita identidade com o movimento socialista, mas que também são dois movimentos distintos e fundamentais para a emancipação plena da humanidade.

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