segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A luta das mulheres também é socialista! (parte II)

O movimento socialista deve abolir a
divisão entre o feminismo e a revolução


Na segunda parte dessa discussão, Marijke coordenou debates importantes para atualização e formação do movimento feminista hoje. Segundo ela, diversas feministas acham importante resgatar Engels (um pouco menos machista que Marx, ou mais preocupado com essa questão). Ele fez uma ligação entre a família e o trabalho, explicando a propriedade privada, e elucidando o papel central da mulher na divisão social do trabalho capitalista. Foi um dos primeiros trabalhos realmente antropológicos.

Porém, o problema é que o marxismo do século XX ainda pensou Engels de forma muito dogmática. Se olharmos o avanço da Antropologia, o que Engels dizia ser lógico não corresponde a realidade. Reduzir as contradições em nossa sociedade apenas ao aspecto capitalista é um erro, visto que muitas sociedades sem propriedade privada hoje praticam e reproduzem a opressão sexual. Olhar dessa maneira é importante para reconhecermos que o machismo não acaba com o capitalismo, e não basta ser socialista para libertar a humanidade.

Como dizia Marx no Manifesto Comunista, os trabalhadores não serão livres se não se organizarem e conquistarem essa liberdade por eles mesmo. A mesma lógica serve para as mulheres que só poderão ser livres com uma organização própria. Em diversas experiências no movimento social temos defesas de que a organização de mulheres divide o movimento, pois é o contrario. Exemplo disso está o movimento de mulheres na Tunísia, que foi capaz de fortalecer o movimento unido contra Bem Ali e avançou bastante na luta por igualdade entre homens e mulheres.

Mas nem por isso qualquer exemplo de organização de mulheres é válida. Quando as mulheres se organizam num partido fascista isso não tem nada a ver com libertação. Tem mais a ver com ajudar as mulheres a cuidar dos filhos dos soldados. Um movimento de fato autônomo significa que as mulheres não estamos subordinadas a outros movimentos, e que nossa luta e própria. Dessa maneira, é essencial que no movimento revolucionário é preciso ter mulheres na direção e nao deixarem elas serem manipuladas pelos homens.

Sobre a violencia contra a mulher, nao se limita o debate ao Brasil, assim como o problema do sistema penal. A existencia de um sistema penal e ruim em todos os lugares, mas isso não justifica ser contra uma lei contra a violencia contra a mulher, pq dessa maneira teriamos que esperar o sistema penal acabar pra defender os direitos das mulheres. Nao temos que ter a ilusao de mudar a mentalidade dos individuos, mas a partir de um movimento.

Nao podemos defender um socialismo feminista que não inclua mulheres. É muito dificil para mulheres criticarem seus companheiros, o que mostra como existe também opressão entre os socialistas. Não é possível construir uma organização revolucionária que tenha a mesma opressão de gênero que no resto da sociedade. As críticas de uma mulher ao seu companheiro não pode ser apenas particular. E as mulheres também sofrem outras opressões, como racismo e podem oprimir, como por exemplo, mulheres brancas oprimindo mulheres negras.

Fato é que mesmo depois do grande movimento das mulheres nos anos 60, muitos pensaram que o feminismo não era mais necessário. Mesmo com boa educação e inserida em boas instituições, boa parte dessas lideranças foram cooptadas pelo capitalismo. Isso gerou uma contradição com seus trabalhos acadêmicos. Isso pode ser associado a cooptação parlamentar das mulheres no século XIX, especialmente na Alemanha. As mulheres socialistas devem resgatar esse balanço e construírem uma nova perspectiva, que mantêm o movimento feminista autônomo, porém um podereso aliado da luta anti-capitalista.


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