Atenção total dos jovens quadros no debate ambiental
Para Marijka Colle, o problema ambiental é um desafio, não uma catástrofe, porque ainda podemos fazer alguma coisa a respeito. Mesmo assim, a falta de consciência da maioria arrebatadora da população, incluindo a maioria dos grupos de esquerda e socialistas para essa questão, e a eminência de um colapso plenatário, tornam essa questão uma prioridade de discussão na agenda dos socialistas no mundo.
O problema ambiental tem um marco histórico importante com a revolução industrial, que aumentou a presença de CO2 na atmosfera (a partir da queima de carvão das florestas), CH4 (por máquinas), N2O (com a diminuição da vida útil dos produtos). Daí em diante com o aumento da produção capitalista, essas alterações geraram diversas consequências, a mais importante delas a alteração do clima no planeta.
A discussão dos ecossocialistas passa pela avaliação de que, portanto, o modo de produção capitalista, que coloca em primeiro lugar a acumulação de capital, não é capaz de organizar a vida humana de uma forma que ela possa preservar os meios naturais essenciais para reproduzir seu próprio modo de vida. Em outras palavras, o capitalismo não sustenta o capitalismo para sempre, e talvez nem mesmo para as próximas décadas.
Mesmo assim, na palestra de Colle ela deixou claro como os grandes empresários e potências capitalistas sempre procuram por soluções tecnológicas que mantêm os lucros e geram até mais lucros. Esse é o capitalismo verde, uma de suas figuras mais emblemáticas e o ex-vice presidente dos EUA, Al Gore. Hoje os governos burgueses buscam a solução na perigosa e poluente energia nuclear para solucionar seus problemas de escassez e metas ambientais. O Japão já serviu de exemplo terrível para onde pode nos levar essa opção de um sistema que se mostra cada dia mais irracional.
Dentre as principais propostas para superar o rumo catastrófico que a humanidade conduz o planeta e, paralelamente, a um enfretamento direto ao Capital. É preciso suprimir produtos inúteis (armamentos, fertilizantes e propagandas, por exemplo); promover um processo de eficiência energética (reutilização de habitações, racionamento de carros e casas); reorganizar a sociedade (com uma grande reurbanização e uma mudança radical na matriz energética).
Em especial, sobre a matriz energética, realizamos um excelente debate que teve em foco a discussões sobre os combustíveis fósseis. Mário, um dos representantes brasileiros, perguntou sobre a questão do Pré-Sal e a campanha "O Petróleo tem que ser nosso". Marijka foi muita clara que o futuro aponta para o fim do consumo de combustíveis fósseis, especialmente o mais consumido hoje, o petróleo. São muitos os motivos, destacando-se dois: 1) O dano ambiental desse combustível ao meio ambiente é irreparável; 2) É uma energia não renovável e, portanto, mais cedo ou mais tarde, não será mais disponível.
A nova matriz energética deve ser adequada a realidade dos locais. Em países com vasta exposição solar, maior será o uso de energia solar para suprir a população, por exemplo. O vento também é uma opção importante. O investimento tecnológico nessas formas de energia deve ser ampliado e priorizado, coisa que não tem ocorrido.
Sobre a campanha brasileira, unificar as lutas com trabalhadores do setor petroleiro é uma ótima oportunidade também para conscientizar os mesmos de como o petróleo é ruim. A conquista do monopólio estatal das camadas do Pré-sal deve ser para impedir que o mesmo seja de fato consumido.
Esse posição de Marijka levantou um debate entre os jovens no curso. No grupo de idioma espanhol, exemplos como o da Venezuela, que tem uma economia extremamente dependente da exportação do petróleo, foram usados como contraponto a posição anti-consumo de combustíveis fósseis. Foi considerado extremamente polêmico que países do terceiro mundo sejam subjugados a um consumo exclusivamente limpo, e não sejam capazes de garantir direitos mínimos para a população. Para garantir a questão da reconversão é preciso ganhar os trabalhadores de todo o mundo e isso será difícil se o Capital puder oferecer mais recursos e riquezas que os socialistas.
Mas nem tudo foi polêmica nessa discussão. Houve grande acordo que essa é uma questão central, e mesmo que a juventude em levante nos diversos países em crise não esteja atenta ao tema, cabe nossa intervenção apresentar que há de fato uma convergência de crises, e que a mais calamitosa faceta dela é a ambiental. A transição energética é uma tarefa para essa geração ou não será para nenhuma. Nem por isso devemos confrontar as demandas ambientais as sociais. Nesse aspecto, os povos indígenas e sua filosofia do "bem viver" unificando lutas com os trabalhadores em países como Bolívia pode ser uma grande fortaleza para a disseminação de um novo modo de vida mundial.
Mesmo não sabendo de conjunto o que fazer com todos os recursos "sujos" do planeta, está claro para a nova geração da IV Internacional que o que quer que seja utilizado, será priorizando um investimento tecnológico nas energias limpas e seguras. Além disso, é preciso lutar pelas medidas ecologicamente sustentáveis e populares agora, como a radical mudança nos transportes, ampliando seu uso coletivo, público e gratuito.
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